Ortodoxia – Que é?

Ortodoxia – Que é ?

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Catecismo Breve

«Ortopráxis – maneiras de viver a Ortodoxia»

Uma palavra especial… Palavra que possui grande força de atração. Do grego “orthos” que significa “reta e verdadeira adoração” e “doxa” que significa doutrina ou ensinamento.

Santo Atanásio de Alexandria (+373)

Enquanto se manifestou na Igreja cristã a necessidade de proteger a verdade dos erros que apareceram (e estes já apareceram nos tempos apostólicos), surgiu o conceito da “confissão correta da verdade”, tal como a escutamos na oração litúrgica e que vem da Igreja antiga, sobre o episcopado, “que usa bem a palavra da verdade” (2Tm 2,15). Esta expressão se cristalizou em uma palavra durante os duros enfrentamentos do arianismo na Igreja. Santo Atanásio, o Grande, dedicou quase toda a sua vida à defesa da Ortodoxia frente ao arianismo. Santo Epifânio chama Santo Atanásio de “Pai da Ortodoxia”. Santo Isidoro de Sevilha no livro “Os Princípios” diz: “o ortodoxo é aquele, que crê corretamente e, de acordo com esta crença, vive corretamente”. Os grandes Padres Orientais da Igreja do século VI, sempre usam esta mesma denominação. São Gregório, o Teólogo, usa o termo “Ortodoxia Sofredora” (Sermão 6 de Gregório o Teólogo).

Depois do Sexto Concílio Ecumênico, quando surgiram discussões sobre a veneração das imagens (ícones) e, desse modo, sobre as formas externas da veneração a Deus, o conceito de “Ortodoxia” se ampliou a todo o ciclo de teologia cristã e ofícios religiosos. Antes da separação das Igrejas, a “Ortodoxia”, ou a “Verdadeira Glorificação”, se pensava como um caráter necessário de verdadeiro cristianismo, tanto no Oriente como no Ocidente, isto é, todos os que queriam seguir a Igreja de Cristo sem erros eram “ortodoxos”. Quando deu a separação da Igreja Romana da unidade da Igreja, ambos conceitos clássicos, digamos melhor, eclesiásticos antigos: a) “Ortodoxo” e b) “Católico-universal”, se conservaram no Oriente e no Ocidente, porém se conservaram de maneira que, um dominou aqui e o outro lá.

São Gregório, o Teólogo (+390)

Cada um fez seu estandarte da Igreja: no Oriente, “Ortodoxia” é a preocupação antes de tudo de guardar a pureza da fé; no Ocidente se usa o termo “Católico” como “universalidade” ou o “Catolicismo” como expressão da idéia de difusão mundial para todos. O nome da Igreja Cristã como “Católica” ficou mais identificada nos paises ocidentais relacionando-a com a Igreja de Roma. Não obstante, nenhum ortodoxo duvida que é verdadeiramente católico, porque no Oriente, tal como está mencionado no Credo que rezamos em cada Divina Liturgia, se diz que nossa Igreja é “Católica”. No Oriente, porém, esta denominação conserva seu lugar na série de outras características necessárias da Igreja: “Una, Santa, Católica e Apostólica”, que recebeu no Segundo Concilio Ecumênico, ou seja, sem que uma destas notas tenha maior ou menor domínio sobre as demais. Somos, portanto, membros da Igreja Cristã, Católica Apostólica Ortodoxa.

Falando sobre o “ortodoxo” e o “não ortodoxo” é preciso explicar uma coisa mais. No primeiro milênio, antes do fato lamentável da separação das igrejas, tanto o Oriente como o Ocidente, receberam grande quantidade de particularidades que dependiam das causas não relacionadas com a fé, senão das condições geográficas e outras, da diferença de culturas grega e romana. A distancia entre o Ocidente e o Oriente, separados pelo Mar Mediterrâneo, impediam a uniformidade das formas de culto e outras facetas da vida eclesiástica. A língua grega, que dominava o Oriente, e o latim, que se tornou o idioma culto do Ocidente, aumentavam esta separação.

Assim apareceram, todavia, antes da separação de Roma nas duas partes da Igreja, uns traços especiais que não dependiam, na realidade, da conservação ou não da verdade. No segundo milênio, na medida em que estas marcas subsistiam se tornaram características de uma ou de outra confissão e, atualmente, com freqüência é necessário um esforço para definir se tal ou qual particularidade do espírito do catolicismo-romano ou ortodoxo é o resultado de causas etnográficas, lingüísticas ou outras.

Para nós, a ortodoxia está dada, tem seu conteúdo e forma constituídos. Porém, a religião é vida e a ortodoxia não constitui uma acumulação de respostas feitas a todas as perguntas. É, sobretudo, uma vivência tomada das experiências de outros que nos precederam na fé e que nos servem de fundamento para que nós mesmos realizemos nossas vidas segundo nossa convicção em Cristo e em sua Igreja.

Assim a Igreja tem demonstrado com atos a fé que está escrita em seu estandarte “Ortodoxia”. “Busquem antes de tudo o Reino de Deus e sua Verdade e tudo mais será dado por acréscimo” (Mt 6,33)

Fonte:

https://www.ecclesia.com.br/biblioteca/catequese/catecismo_da_igreja_ortodoxa1.html

ECCLESIA

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